Acidente com vergalhão

19 de agosto de 2012

Fonte G1

Operário relembra momentos antes de acidente com vergalhão. 'Escapuliu, e caiu na minha cabeça', contou Eduardo Leite, de 24 anos. Segundo os médicos, ele deverá receber alta nos próximos 10 dias.

O operário Eduardo Leite, de 24 anos, que teve o crânio perfurado por um vergalhão de dois metros de comprimento na obra em que trabalhava em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, relembrou os momentos que antecederam o grave acidente sofrido na manhã da última quarta-feira 16/08/2012.
“Eu lembro de ter amarrado o ferro e ter dado o sinal para o rapaz puxar o ferro lá de cima. Aí o rapaz puxou o ferro, aí quando ele puxou o ferro cheguei um pouco para o lado, o ferro foi, escapuliu, e caiu na minha cabeça”, contou Eduardo no vídeo gravado pela produção do Fantástico no sábado 18/08/2012, no Hospital municipal Miguel Couto, na Gávea, onde ele continua internado.

Homem deu entrada em hospital público do Rio com vergalhão encravado no crânio (Foto: Marcelo Elizardo/G1)
Imagem Google

De acordo com os médicos, ele teve muita sorte. Se o vergalhão tivesse entrado um centímetro para trás, o pedreiro teria perdido os movimentos do lado esquerdo do corpo.
“É como se o anjo da guarda dele tivesse de plantão naquele momento. Então, foi milimetricamente projetado para não passar por nenhuma área vital ou de função bem definida”, explica o chefe do Setor de Neurocirurgia do Hospital Miguel Couto, Ruy Monteiro.
Diante da boa evolução do caso, havia previsão de que Eduardo fosse transferido neste domingo 19/08/2012 para o quarto, Mas os médicos decidiram mantê-lo no CTI. Avaliaram que o risco de infecção ainda é grande e assim o paciente fica mais protegido.
Alta em 10 dias
Se tudo continuar correndo bem, Eduardo deverá receber alta nos próximos 10 dias, mas só depois que ele retomar a rotina é que os médicos e a família poderão saber se o acidente deixou alguma sequela ou não.
“Ele pode vir a apresentar uma liberação do humor, ou seja, ele ficar mais engraçado do que ele era habitualmente. Ele pode também alterações depressivas, ele pode ter uma dificuldade de planejar o seu futuro, de relacionamento com a família, com os amigos, algumas alterações desse gênero”, avalia o médico.
Eduardo é casado há dez anos com Lílian, com quem tem dois filhos pequenos. Moram em uma casa de dois cômodos, prestes a aumentar de tamanho. Mas a reforma agora vai ter que esperar um pouquinho.
“A gente ia fazer o banheiro aqui e tirar o banheiro de dentro da cozinha. Aumentar, arrumar a casa, deixar a casa bonitinha para as crianças”, conta Lílian.
A mãe de Eduardo, Dona Maria Duarte, não perde o horário de visita no hospital: “Até a pé, se for possível, eu venho. Eu quero ele em casa, ele estando em casa, para mim, é melhor”, diz. “Ele está muito bem, muito bem. Está comendo, feijão, arroz. Não tem febre. Está bem, graças a Deus, está bem o meu filho. Deus foi muito bom na vida dele e os médicos, uma benção. Uma benção!”, agradece.
Relembre o caso
Na quarta-feira 15/08/2012, Eduardo estava agachado usando capacete quando foi atingido pelo vergalhão. O objeto caiu do quinto andar, de uma altura de 15 metros. Tinha dois metros de comprimento e com a queda o impacto na cabeça do operário foi de aproximadamente 300 quilos.
O vergalhão entrou pelo alto da cabeça e atravessou a região entre os olhos. Essa é a chamada área pré-frontal do cérebro, responsável por funções associadas ao comportamento.
A cirurgia de remoção durou cerca de seis horas. Os médicos abriram parte do crânio e puxaram o vergalhão de cima para baixo. Se puxassem pelo sentido contrário haveria risco levar material contaminado do nariz para dentro do cérebro.

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