Morre o escritor italiano Umberto Eco aos 84 anos

19 de fevereiro de 2016

Fonte G1
RIO - O semiólogo, filósofo e escritor italiano Umberto Eco morreu nesta sexta-feira aos 84 anos. Ele era autor de sucessos como "O nome da rosa" (1980) e "O pêndulo de Foucault" (1989). Seu último livro, "Número zero", foi lançado em 2015 e saiu no Brasil pela Record.
O autor morreu por volta de 22h30m em sua casa em Milão. As causas da morte, no entanto, ainda não foram divulgadas. Ele nasceu na cidade de Alexandria, ao Norte da Itália, em 5 de janeiro de 1932. Antes de começar a escrever romances de sucesso comercial, por volta dos 50 anos, Eco escreveu diversos ensaios sobre a semiótica, a estética medieval, linguística e filosofia. Seus primeiros trabalhos publicados eram estudos sobre a obra de São Tomás de Aquino.
Umberto Eco
O autor também exerceu influência ao estudar fenômenos de comunicação de massa, como programas de televisão, publicidade e histórias em quadrinhos. Desde 2008, era professor emérito e presidente da Escola Superior de Humanidades da Universidade de Bolonha.
Tido como um dos maiores intelectuais italianos, Eco se firmou como um dos grandes nomes da nova narrativa italiana. Estreou em 1962 com "Obra aberta" e, desde então, entre estudos acadêmicos e romances, publicou clássicos como "Apocalípticos e integrados" (1964), "A estrutura ausente" (1968), "O super-homem de massa" (1978), "Lector in fabula" (1979), "O pêndulo de Foucault" (1989). "Como se faz uma tese", o melhor amigo de gerações de universitários, foi publicado em 1977.
"O nome da rosa", seu maior sucesso, vendeu milhões de exemplares e se passa durante a idade média, quando uma série de crimes acontecem em uma abadia. O livro foi adaptado para o cinema em 1986, por Jean-Jacques Annaud, com Sean Connery como o frade franciscano Guilherme de Baskerville e Christian Slater como o noviço Adson von Melk.
— Somos 7 bilhões no mundo, então o número dos meus leitores é mínimo, mas alguns querem um desafio, querem que um livro seja uma provocação para a inteligência, um esforço. Os editores acham que o leitor quer coisas fáceis. Mas, para isso, ele já tem a televisão. Ninguém consegue explicar por que o único livro fácil que escrevi, "A misteriosa chama da Rainha Loana" (2004), não interessou a ninguém. Tudo chega mastigado. Escrevo para os masoquistas que querem ser maltratados — disse em entrevista ao GLOBO em dezembro de 2011.
Um dos 13 filhos de Giovanna e Giulio Eco, o autor contrariou os pais que desejavam que ele cursasse direito. No entanto, se inscreveu na Universidade de Turim para estudar filosofia medieval e literatura. Além disso, Eco trabalhou ainda como editor de cultura da RAI, a emissora estatal italiana, e tornou-se professor universirário.
Em setembro de 1962, se casou com Renate Ramge, professora de artes alemã com quem ele teve um filho e uma filha. Dividia o tempo entre o apartamento em Milão e um casa de férias perto de Rimini. Nas duas casas, ele mantinha bibliotecas com, ao todo, 50 mil volumes. Alguns deles tinham até 500 anos.
— Quase não vou a bibliotecas, tudo o que me interessa está aqui. Quando penso em ir a uma livraria, também não vou, porque recebo todos os livros lançados, infelizmente — disse.
Bibliófilo, lançou no ano de 2010 "Não contem com o fim do livro", em que conversa com o roteirista Jean Claude-Carrière. Nele, defendia a sobrevivência do livro em papel como formato.
— Eu não poderia ler Proust em formato digital. Seria impossível. Se eu tivesse que deixar um legado para o futuro, deixaria um livro, e não em formato digital — afirmou em entrevista coletiva no ano de 2009.
Lançado no ano passado, "Número Zero" é uma crítica à imprensa que manipula e distorce fatos em busca de chantagens. O autor dizia que se inspirou em personagens reais do jornalismo italiano para estruturar o romance.
A editora Record havia anunciado que vai relançar "A definição da arte", de 1968, este ano no Brasil. No livro, Eco analisa problema filosófico da possibilidade de uma definição da arte.
 

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Irmãos aparentam idosos

12 de fevereiro de 2016

Fonte G1

Os indianos Keshav Kumar, de 1 ano de idade, e Anjali Kumari, de 7 anos, têm uma doença que se caracteriza pelo envelhecimento rápido da criança. Os irmãos têm olheiras, pele enrugada e rostos inchados, além de sentirem constantes dores nas articulações.
Seus médicos diagnosticaram o caso como Progeria, também conhecida com síndrome de Hutchinson-Gilford, e afirmaram que a doença é incurável. Uma história semelhante foi retratada no filme "O Curioso Caso de Benjamin Button", interpretado pelo ator norte-americano Brad Pitt.
Cover Asia Press

Em entrevista ao site britânico 'Daily Mail', Anjali afirma que se incomoda com os comentários de outras pessoas e que sabe que é diferente das outras meninas de sua idade. "Eu tenho o rosto diferente, o corpo diferente, tudo diferente", comenta.
Os irmãos vivem em Ranchi, no leste da Índia, com seus pais e sua irmã mais velha, de 11 anos de idade, que não tem a doença.
  • Saiba mais sobre as causas e tratamentos da Progeria 
O pai, Shatrughan, trabalha em uma lavanderia onde recebe menos de R$ 300 por mês e sua família não tem condições de pagar um tratamento mais moderno para as crianças.
Segundo o 'Daily Mail', a doença afeta, em média, uma criança a cada 4 milhões de nascimentos. Médicos afirmam que crianças com essa condição agressivamente progressiva raramente vivem além dos 13 anos. Pouco mais de 130 casos foram reportados na literatura científica desde a descrição da doença, em 1886.


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Microcefalia na Visão Espírita

11 de fevereiro de 2016

Fonte Ana Maria Massuci

Os diversos casos de microcefalia que estão ocorrendo por todo o Brasil, e com mais intensidade no Nordeste, com os números cada vez mais aumentando, faz-nos indagar: por que isto está acontecendo?
Para nós espíritas isto não é por acaso. Na visão da Doutrina Espírita esta situação enquadra-se nas chamadas provações coletivas, é um resgate coletivo. São espíritos que trazem necessidade de provas ou expiações semelhantes, nisto são atraídos a lugares ou situações, onde graves desequilíbrios destes espíritos são tratados em conjunto. Sobretudo nas doenças chamadas de congênitas, que a criança já traz ao nascer, não pode ser atribuída ao acaso ou a má sorte elas passarem por esta situação.
Há casos também em que esses espíritos reencarnam com este problema para ajudar os familiares a desenvolverem boas qualidades, a terem mais paciência, para desenvolver o cuidado pelo próximo, a compaixão, a generosidade...
O Espiritismo nos esclarece que estamos num mundo de efeitos, de consequências, onde percebemos que na reencarnação encontra-se o “por que” para compreendermos o que está ocorrendo, as causas e as consequências.
Nas questões 132 e 133 de O Livro dos Espíritos, encontramos os seguintes esclarecimentos: Que Deus impõe a encarnação com o objetivo de fazer os espíritos chegarem a perfeição. Para alguns a encarnação é uma expiação, para outros é uma missão. Todavia, para alcançarem essa perfeição, devem suportar todas as vicissitudes da existência corporal; nisto é que está a expiação. (...)
Todos nós necessitamos de reencarnarmos, pois todos nós fomos criados simples e ignorantes; instruímo-nos nas lutas e nas tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não poderia fazer a alguns felizes, sem dificuldades e sem trabalho e, por conseguinte, sem mérito. Os espíritos que seguem o caminho do bem alcançam mais depressa o objetivo. Aliás, as dificuldades da vida, frequentemente, são consequências da imperfeição do espírito; quanto menos tenham de imperfeição, menos tem de tormentos. (...) 
 
Estamos vivenciando um momento crucial no progresso do planeta Terra, e no nosso progresso. Esta é a encarnação que melhor nos preparamos através das outras encarnações. É a grande chance e a grande oportunidade para nos tornamos indivíduos melhores. E para esses espíritos que nasceram com o corpo físico com microcefalia é uma grande oportunidade de reajuste de dividas passadas, é uma reencanação impar para eles, mesmo que seja por breve instantes, ou pela experiência de passar por isso, ou que vivam por anos; tanto para eles como para os familiares . 
Sabemos que a Terra está passando pela mudança de uma Era para outra, deixando o mundo de Provas e Expiações para o mundo de Regeneração. Tudo que estamos vivenciando seja desencarnes coletivos, seja reencarnações de resgate coletivo, é para acelerar o processo de quitação de divida do mundo em estagio de Provas e Expiações, pois não se pode chegar um novo estagio moral na Terra com as dividas e os sofrimentos atuais. Só irão ficar na Terra os espíritos que assumirem o compromisso com o bem, espíritos com a moral adequada para habitar o mundo em estagio evolutivo de Regeneração. Por isso que as dividas tem que serem pagas, e por isso que está havendo esse aceleramento para o pagamento dos débitos desses espíritos, e tudo isso acontecendo por meio da Lei de Causa e Efeito, da ação e da reação.
Assim, os débitos de vidas anteriores que tal espírito contraiu e acarretou tal deficiência, é sanado com essa atitude de encarnar com a microcefalia. Décadas atrás a incidência de casos de deficiência física era muito grande, e se apresentando de diversas formas as deficiências físicas, atualmente os espíritos estão nascendo com doenças emocionais, psíquicas, é a mente que está sofrendo atualmente. Tendo diminuído os casos de deficiência física, pois os espíritos que precisavam passar por tais circunstancias já terem quitado tal divida, contraída por erros em vidas passadas. É por isso que esta é a grande chance, quem sabe uma das ultimas chamadas para esses espíritos quitarem suas dividas e a dos seus familiares por meio da microcefalia. 
Deus sempre Escreve Certo e Seu Amor e Justiça nunca falham. Temos que entender que os espíritos desses bebês, são espíritos que já viveram muitas outras vidas, com erros e acertos. Os aspectos espirituais por trás desta situação é que são espíritos que precisam passar pela experiência da microcefalia, é como se fosse um processo de cura para as dificuldades espirituais desses espíritos. 
Que as mães não abortem esses bebês de forma alguma, porque se houver um caso na família de microcefalia é porque a família necessita desta experiência para desenvolver boas qualidades. Porque se haver de nascer na família um bebê com alguma deficiência física é necessidade da família e do bebê. A família tem que se doar, porque tudo tem uma razão de ser. É a Justiça Divina atuando, mesmo que não compreendemos atualmente, para que alcancemos a luz. 
Que as mães, os pais e os familiares agradeçam a Deus por esta oportunidade bendita, por receber estes espíritos sofredores, que vão precisar dos seus pais, responsáveis, familiares, de todo o amor, carinho, da servidão, para se dedicarem a estes espíritos, dando condição a eles de cura para o espírito, através desta oportunidade. Quando servimos crescemos. É um crescimento mútuo, para os pais e para o filho, muitos casos podem ser resgates de dividas dos pais com os filhos de outras vidas, outros casos os bebês podem assim nascer para sensibilizar os pais e familiares, e outros podem ser a necessidade do espírito de nascer desta forma e os pais o acolhem para ajuda-lo e isto já foi estabelecido no plano reencarnatório, antes dos pais e filhos nascerem. 
Que esses casos sirvam para a sociedade em geral, para sensibilizar-nos e nos voltarmos mais para o bem, para o amor, para a caridade... Uma nova era está chegando, e temos que cada dia sermos pessoas melhores. O tempo urge, e os trabalhos estão sendo acelerados. Colhemos o que plantamos isto através dos séculos, isto é a lei de causa e efeito, ação e reação. Mas, sobretudo, confiemos em Deus Pai. E nos ensinos de Mestre Jesus, pois Ele afirmou: “Das ovelhas que meu Pai me confiou, nenhuma se perderá.” 
“Estamos certos de que Deus age em todas as coisas com o fim de beneficiar todos os que o amam, dos que foram chamados conforme seu plano.“ (Romanos 8:28) 

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As almas que se amam se encontram em outra vida?

10 de fevereiro de 2016

Fonte Vania Vasconcelos

Na espiritualidade o sentimento é claro, de uma força e suavidade que mostram o que existe entre os espíritos que o sentem. Tanto mais fácil perceber este elo afetivo, quanto mais desenvolvido moral e espiritualmente é o espírito. Já durante a encarnação, há uma limitação imposta pelo esquecimento do passado, uma vantagem que Deus nos proporcionou para que o livre-arbítrio fosse pleno em nós. Quando encarnamos esquecemos do passado, e deixamos adormecidas lembranças e sentimentos. Se duas almas que se amam se encontram, talvez não venham a perceber imediatamente a importância real de uma na vida da outra, mas sentirão empatia, simpatia ímpar e profunda, o que as faz pender para a pessoa que acabaram de conhecer na nova encarnação. O reconhecimento de um amor de milênios pode ser forte e imediato, mas em geral, para nos facilitar a vida, surge doce e suave, lenta e profundamente.
 
O fato de duas almas terem aprendido a amar-se e que se procuram para continuar juntas sua jornada – encontrarem-se na encarnação, não significa necessariamente que devam ficar juntas, enquanto a experiência terrena estiver em andamento. Há reencontros que acontecem para que formem família, exemplifiquem o sentimento, evoluindo e dando, uma à outra, força nas provas, expiações e missões que vieram cumprir. É bem comum também que afetos verdadeiros não se encontrem, que estejam, cada um, vivendo experiências com outras almas, de modo a ampliar os laços do amor fraternal. Neste caso, costumam aliviar a saudade através de visitas em espírito (sonhos).

Há ainda outra possibilidade, em geral prova bem difícil por exigir o mais amplo sentimento de resignação, coragem e amor ao próximo: duas almas encontrarem-se, reconhecerem-se, amarem-se e não poderem ficar juntas porque já estão comprometidas com outras pessoas e famílias.

E porque Deus faria isso?

Deus não fez. As próprias almas pediram esta prova como exercício expiatório e prova de resistência de suas más tendências, em geral, o egoísmo.
Imaginemos…
Duas almas aprendem a se amar; almas gêmeas que se tornam, escolhem experiências que irão fazê-las evoluir. Espíritos ainda em progresso, possuem defeitos morais que estão trabalhando nas existências. Nascem juntas, separadas, na mesma família, em outras, entre amigos ou inimigos. Entre tantas vidas, numa optam por temporariamente (o que são os anos de uma encarnação perante a imortalidade?) por encarnarem separadas. Casam-se com outras pessoas, formam famílias. Mas um dia encontram-se. Reconhecem-se. O amor ressurge. Seus compromissos espirituais são logo esquecidos, desejam-se. Eles deveriam resistir à tentação de trair, de abandonar os companheiros, os filhos, os compromissos, construindo falsa felicidade sobre lágrimas alheias. No entanto cedem. Traem, abandonam, fogem… não importa. Querem ser felizes e isso lhes basta. É o egoísmo e a falta de fé no futuro, que lhes dirige a ação.
Mas não há real felicidade senão a conquistada no direito e na justiça. Se vencerem a tentação de fazer o que citamos, terão no futuro o mérito de estar uma com a outra. Se se deixam arrastar pelas paixões, estarão fadadas a novos afastamentos, lições dolorosas.
Escolhem esta experiência porque a visão que têm na espiritualidade é diferente da limitada visão da encarnação. Melhor abrir temporariamente mão da presença amada, já que o afeto não se esvai na ausência, do que abrir mão de estarem juntos em várias vidas e seus intervalos. Sendo o egoísmo o único motivador (e não o amor) da escolha de ficarem juntos a qualquer preço, constrói-se sólido castelo sobre a areia das ilusões. Fatalmente ele desmoronará, e será preciso reconstruí-lo
 

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Pobreza global: obesidade supera a fome no Brasil e, na França, lei obriga a doar alimentos

9 de fevereiro de 2016

Fonte G1
“Cerca de 1,5 bilhão de homens, mulheres e crianças, de todos os lugares do mundo, exibem sobrepeso hoje; mais de 500 milhões são obesos”. “Dos 42 milhões de menores de cinco anos que apresentam sobrepeso no mundo, 35 milhões (83%) vivem em países com esse perfil, explica a Organização Mundial da Saúde (OMS)”.
“Um brasileiro hoje, segundo o IBGE, consome em média mais que o dobro dos 5 gramas de sal recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”.“No Brasil, 56,9% das pessoas com mais de 18 anos estão com excesso de peso e 20,8% são classificadas como obesas, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística”.

Os dados acima eu retirei do artigo publicado na última semana no jornal “Valor Econômico” pelo diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano. Assustado, legitimamente, com o aumento crescente da obesidade no mundo, Graziano escreve sobre seu assombro: um país que já conseguiu sair do mapa mundial da fome, agora trava uma batalha com outra dimensão importante da segurança alimentar e nutricional: o aumento de peso. “A dieta saudável como política pública é a nova fronteira da segurança alimentar no mundo. Não se pode mais falar em direito humano à alimentação adequada sem incluir dimensão fundamental do binômio saúde e nutrição. Como referência mundial no combate à fome, o Brasil não só reúne condições de incorporar esse novo horizonte, como também de inspira”, escreve Graziano.

Faz sentido a providência que está sendo tomada: uma tentativa de trazer o setor privado de alimentos para a mesa de debates e a primeira coisa está sendo o pedido de diminuição do sal nos processados. Há também, como se sabe, muito açúcar e muitos outros elementos que não significam saúde, mas pode parecer que sim aos olhares desavisados.

No mesmo dia 4, o britânico “The Guardian” publicou reportagem mostrando que a França é o primeiro país a proibir que supermercados joguem fora ou destruam alimentos não vendidos. O Senado daquele país aprovou com unanimidade essa lei que vai fazer chegar milhões de refeições aos mais pobres. O vereador que iniciou a campanha, em cima de um projeto de lei aprovado em dezembro pela Assembleia chama-se Arash Derambarsh e aparece na sua rede social segurando, com ar vitorioso, uma espécie de cartilha com o “Manual contra o Desperdício”. Também se considerando vitoriosos, os ativistas de causas socioambientais estão agora, mais do que nunca, ansiosos para que a legislação seja adotada por todos os estados membros da União Europeia.

A outra parte dessa notícia revela a assustadora prática de supermercados franceses (será que só lá?) de estragarem deliberadamente alimentos que estão no prazo de validade para evitar que um número crescente de famílias, estudantes e sem-teto façam uso deles. Não me perguntem por que os vendedores de alimentos agem dessa maneira, eu não sei. Mas tenho a impressão de que argumentariam, caso fossem interpelados, que jogam fora para evitar que, ao comer, uma pessoa seja intoxicada com o produto velho.


De qualquer maneira, agora a comida extra, velha ou não, vai toda para instituições de caridade. A França, segundo apurou a reportagem do jornal britânico, sofre com déficit de carne, frutas e legumes para os mais pobres. E, desde que o Senado tornou a doação obrigatória, os bancos de alimentos já receberam cem mil toneladas de bens, dos quais 35 mil vieram dos supermercados. A ideia é promover que essa doação seja feita homem a homem para provocar o contato humano.

Duas notícias que falam sobre a pobreza, sobre a indigência e privações em lugares tão diferenciados do planeta me levam a refletir, como não podia deixar de ser. O geógrafo Milton Santos, que pautou grande parte de seu trabalho em estudos sobre países em desenvolvimento (ele morreu em 2001), no último livro que escreveu, “Por uma outra globalização” (Ed. Record) ajuda a destrinchar o fenômeno que me chamou a atenção. Há, hoje, uma pobreza que não é acidental, residual ou sazonal, mas estrutural. Na visão dele, se equivale a uma dívida social.“Ela é estrutural e não mais local, nem mesmo nacional: torna-se globalizada, presente em toda parte no mundo. Há uma disseminação planetária e uma produção globalizada da pobreza, anda que esteja mais presente nos países já pobres”, escreve ele.

Mas é também uma doença da civilização, cuja produção acompanha o próprio processo econômico. Agora, segundo Santos, o consumo se impõe como um dado importante, pois “constitui o centro da explicação das diferenças e da percepção das situações”. “Ampliam-se, de um lado, as possibilidades de circulação, e de outro, graças às formas modernas de difusão das inovações, a informação constitui um dado revolucionário nas relações sociais. Além da pobreza absoluta, cria-se e recria-se incessantemente uma pobreza relativa, que leva a classificar os indivíduos pela sua capacidade de consumir, e pela forma como o fazem”, diz o texto.

E toca a buscar soluções.O aumento de crédito é uma delas, que por sua vez vai possibilitar o aumento de consumo, acelerar o sistema econômico, estabilizar a inflação. Tudo isso, no entanto, no caso dos alimentos, pode levar também ao abuso de processados. Consequência direta? A obesidade.

O documentário “Muito além do peso” trata do fenômeno de forma definitiva. Assistiali a uma das cenas que mais me impactou no cinema. Em meio à Floresta Amazônica, num dos afluentes do Amazonas, um imenso barco de uma grande rede de alimentos aporta e é ansiosamente esperado pelos ribeirinhos, a maioria mães que saem do barco com inúmeros pacotes de pães, bolos, biscoitos e chocolates, sortimento para um mês inteiro. A preços acessíveis, levam para casa, de forma industrializada, tudo o que têm em volta, in natura. A diferença é que os primeiros acrescentam muito sal, muito açúcar, farinha e alguns quilos a mais na balança.

A generalização da ideia do subdesenvolvimento leva a teorias destinadas a combatê-lo, diz Santos. Torna-se então, também generalizada, a preocupação dos governos e das “sociedades nacionais, por meio de suas elites intelectuais e políticas”, que se lançam a buscar saídas para a crise, de preferência que não subverta a ordem e não onere. Encaixa-se perfeitamente aí a ideia de doar alimentos que iriam para o lixo.

“A pobreza atual resulta da convergência de causas que se dão em diversos níveis, existindo como vasos comunicantes e como algo racional... Alcançamos uma espécie de naturalização da pobreza, que seria politicamente produzida pelos atores globais com a colaboração consciente dos governos nacionais. Os pobres não são mais incluídos ou marginais, eles são excluídos. Deixa-se de ser pobre em um lugar para ser pobre em outro. Uma pobreza quase sem remédio, trazida não apenas pela expansão do desemprego, como também pela redução do valor do trabalho”, escreve ele.

Para teóricos do subdesenvolvimento atuais, que viveram década e meia à frente de Santos e por isso já tiveram chance de perceber melhor causas e consequências, é preciso desenvolver localmente as pessoas para que elas possam reduzir a dependência do macro sistema. Sabe-se, porém, que isso não é fácil de conseguir, como bem mostra o conceito do Bem Vive . Portanto, não há solução, há várias. E é bom poder refletir a respeito.

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