Mostrando postagens com marcador Comunicação Empresarial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comunicação Empresarial. Mostrar todas as postagens

Motivação - Você tem o que é preciso

Fonte: Instituto Progredir
É necessário reconhecer que todos possuem interiormente uma capacidade inesgotável. Entretanto, nem todos utilizam esta capacidade. Por que será que alguns alcançam seus objetivos e metas e outros patinam uma vida inteira sem atingir resultado algum? Leia o texto e tire suas próprias conclusões.
Quase não existe diferença visível entre o atleta vencedor e o que chega por último.
Ambos possuem o mesmo número de músculos para trabalhar. Ambos jogam com as mesmas regras e usam equipamento semelhante. Porém, o vencedor é o que tem a determinação de vencer. O vencedor é aquele que faz o que é preciso, treina dia após dia, esforça-se um pouco mais a cada treino, é capaz visualizar sua passagem pela linha final à frente do resto.

Imagem do Google

Tanto o vendedor melhor pago quanto aquele que raramente realiza uma venda possuem os mesmos talentos e recursos. A diferença está no que eles fazem com o que têm.
Tanto o escritor que mais vende quanto o que nunca publicou nada possuem o mesmo dicionário cheio de palavras para trabalhar. A diferença está no que eles fazem com o que têm.
Você já possui a matéria-prima para o sucesso e a realização. Você possui o necessário para atingir a grandiosidade em tudo que você quiser. Você tem dentro de si o potencial para conquistas extraordinárias.
Ninguém é mais nem menos equipado para o sucesso do que você. Mas é você quem deve fazê-lo acontecer, e é quem tem que assumir o compromisso e fazer o que for necessário para atingir a grandiosidade de que é capaz.
Você tem o que é preciso. Faça acontecer!

A notícia e os lobbies poderosos: pensando alto

Fonte: Wilson da Costa Bueno
Ler os jornais e buscar enxergar além da notícia é um exercício que deveria ser praticado, diariamente, por todos os profissionais de comunicação, em especial os jornalistas e os gestores da comunicação nas organizações. Assumir esta postura crítica significa extrapolar o limite em que se insere o cidadão comum, impossibilitado de perceber nitidamente o que se passa à sua volta. Há a leitura como entretenimento (qual a escalação do meu time no jogo de hoje , quais são os filmes em lançamento ou mesmo o que diz o meu horóscopo?) e a leitura por motivação profissional  (o que está nas entrelinhas da proposta do governo, o que na verdade estão defendendo os empresários e por aí vai).
Fiz este exercício nos jornais de terça-feira, dia 4 de novembro de 2008, e resolvi registrar aqui. Evidentemente, para quem lê vários jornais, como é o caso, há um punhado de notícias que chamam a atenção e isso é normal porque cada um de nós tem vários interesses que vão do esporte à economia, da política à ciência e tecnologia. Mas posso citar 3 que me convidaram para uma reflexão.
A primeira delas, mais ou menos óbvia, é a da fusão entre o Itaú e o Unibanco, dois gigantes do mercado financeiro nacional. Com certeza, a maioria dos jornais destacou o que foi proclamado na coletiva (como era de se esperar, um grande oba-oba) que anunciou o fato: o surgimento, pela fusão, do maior banco do Brasil e da América Latina, com ativos de quase 600 bilhões de reais, numa exaltação ao nacionalismo caboclo. Somos os maiores, estamos longe da crise. Paralelamente, ressaltou-se a adesão do governo, mais preocupado no momento em ver  afastada a crise do que em outras questões também muito importantes. De que se falou pouco ou o que passou batido na cobertura dos jornais? Ora, o que significa esta concentração abusiva no sistema financeiro, como fica a situação do consumidor, já que, por uma regra do mercado, quando há menos "players" , a tendência é sobrar para o lombo de todos nós. Não é isso a que estamos assistindo no caso do duopólio que caracteriza o segmento da aviação nacional? Será que o Governo não percebeu que a TAM e a Gol (agora também Varig) subiram os preços exageradamente em algumas rotas e estão dividindo o mercado para atenuar a concorrência (você fica com Ribeirão Preto que eu fico com Londrina e assim por diante). Pois é, a imprensa com sua visão oficialesca ouviu os banqueiros, ouviu o ministro da Fazenda e saiu batendo palmas. Por que não aproveitou o gancho para discutir o aumento do preço dos serviços bancários? Por que não disse (calma, o jornal O Globo não deixou de dizer) que o Unibanco, na véspera do anúncio da fusão, aumentou todas as suas tarifas em 6%? Por que não insistiu na tese de que agora os cinco maiores bancos detêm 72% dos ativos do mercado? Isso é bom? Ora, logo que não é, toda tendência à concentração é ruim, como a gente pode ver no monopólio das sementes (um escândalo no caso das transgênicas), na indústria agroquímica, farmacêutica etc.
A imprensa gosta de seguir o rei e por isso tem se mantido súdita, com raras exceções. Se é assim, palmas para o Itaú e para o Unibanco, que talvez agora queira parecer banco.

A outra noticia que mereceu a atenção dizia respeito ao aumento da utilização de medicamentos para crianças, uma nota importante da página de Saúde da Folha de S. Paulo (puxa, até agora só aplausos para esta iniciativa do jornal do Frias). Isso mesmo: tem crescido significativamente o uso de drogas para hipertensão, diabetes, colesterol alto, asma, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, e depressão por crianças, com ou sem prescrição médica, porque por aqui se compra remédio como se compra doce, já que não há controle algum e existem mais farmácias do que padarias (mais de 50 mil, se me lembro bem das estatísticas), às vezes duas ou três no mesmo quarteirão.
      Puxa, mas isso é terrível! Por que esse excesso todo? Ora, você não havia percebido que a indústria farmacêutica, com a cumplicidade de parte da comunidade da saúde - médicos para dizer com todas as letras, em todo o mundo - está ampliando a sua base de pacientes, incluindo agora as crianças e adolescentes? Criança ativa? Papai e mamãe dão Prozac pra ver se ela se acalma. Criança tristonha? Puxa, anti-depressivo nela para melhorar o astral. Nada demais, porque a indústria de alimentos de há muito anda assaltando as mentes das nossas crianças, tentando empurrar-lhes guloseimas, refrigerantes e a comida gordurosa do Palhaço e seus equivalentes.
      A Folha de S. Paulo bem que podia dar uma "suíte" na notícia e verificar como tem sido desenvolvida essa estratégia irresponsável da Big Pharma para manter os lucros dos seus acionistas. Ninguém se deu conta de como empresas de pesquisa de mercado e laboratórios estão utilizando clientes de clínicas para pesquisas sobre produtos, inclusive para fins não aprovados? Não é preciso ir longe: você leu a matéria de capa da Veja desta semana? E olha que a revista da Abril "maneirou" porque o negócio anda feio nesta área, com recall de remédio a torto e a direito. E ainda tem gente que acredita na idoneidade da FDA, uma cúmplice descarada dos principais laboratórios, embora travestida de órgão de fiscalização!
      A terceira notícia diz respeito à compra da  Alellyx e da CanaVialis, duas empresas de biotecnologia da Votorantim, pela Monsanto, a gigante dos transgênicos e do veneno (agrotóxicos, o que quer dizer a mesma coisa). Em princípio, nada demais porque a Monsanto e outras empresas têm comprado um montão de empresas menores ao longo do tempo e com isso caminhado para o monopólio, sem que os governantes abram o olho. É a regra do mercado , não é mesmo? O mesmo mercado que nos levou a esta crise imensa porque os Governos, refém das corporações, fingem que não vêem e vão entregando os anéis, os dedos, a mão inteira. Com isso, ficam à mercê de chantagens como as das montadoras que ameaçam demitir um montão cada vez que a crise chega do lado delas e nunca distribuem os lucros quando vendem pra caramba como tem sido até agora. Você acha justo dar dinheiro para as montadoras como se tem anunciado pela mídia? O que elas dão em troco, se não a burla à lei, como acaba de acontecer na questão do combustível sujo, quando, em parceria com a Petrobrás, conseguiram empurrar a poluição do ar com a barriga, ameaçando a nossa saúde?

O problema da compra da Alellyx começou lá atrás, quando um grupo de pesquisadores, patrocinados pela FAPESP, formados pela USP, portanto com dinheiro público, acabou se deslocando para formar uma empresa privada (o governo não foi competente para mantê-los?) e agora cai no colo de uma empresa reconhecidamente monopolista. Talvez seja essa a vocação brasileira: produzir commodities para os países ricos e mão-de-obra (embora qualificadíssima) para grandes corporações, coisa de país subdesenvolvido. O que vai lucrar o País com isso? Nunca se saberá, mas a gigante que não investiu na formação, não contribuiu para capacitar a equipe e que comprou a empresa por uma pechincha, aproveitando a crise,  já deve estar contando o dinheiro. Na lógica do investidor, é nas crises que se ganha mais dinheiro porque nesta hora é possível encontrar empresas e pessoas com a corda no pescoço. Qualquer semelhança com a postura de alguns agentes do sistema financeiro é mera coincidência?
      A leitura atenta e crítica dos jornais permite reconstruir cenários e situações mesmo quando não é essa a intenção dos meios de comunicação (alguns até dissimulam as intenções de suas fontes, muitas delas seus anunciantes fiéis). Como eles dependem cada vez mais das fontes oficiais e das corporações e reproduzem o seu discurso e a sua lógica, basta lê-los com atenção para se descobrir intenções ocultas, estratégias nada éticas etc.
      Na verdade, os meios de comunicação fazem parte do jogo e bobo é aquele que imagina que eles estão efetivamente comprometidos com o interesse público. Há espamos de cidadania aqui e acolá mas os veículos integram corporações, algumas poderosas aqui e lá fora, e têm , como toda empresa, compromissos com a sua própria sustentabilidade.

Seria interessante que você assistisse, se ainda não o fez, o documentário The Corporation (é fácil de encontrar) onde há um relato contundente de como agem algumas corporações que andam por aqui proclamando a sua responsabilidade social. Lá encontrará casos de afronta à saúde, de pressões sobre jornalistas e veículos, exploração de trabalho escravo e infantil, desrespeito à legislação, ao consumidor e até conluios históricos com as ditaduras e o  nazismo (que ajuda grande deu a IBM para o hitlerismo, hein?). A atual dona do Alellix freqüenta também o documentário, com grande destaque. Não poderia mesmo estar fora, tem o perfil ideal para figurar em documentários com este teor. Você já viu falar em agente laranja, em hormônio no leite das vacas norte-americanas? Vale a pena assistir ao filme, que não é uma obra de ficção. Talvez por isso mesmo a gente fique preocupado quando vê algumas organizações entrando em nossas universidades pela porta da frente. O que será que elas desejam lá, hein?
      Talvez seja generosidade. Elas (será?) desejam expiar a sua culpa, patrocinando estudantes com dificuldades financeiras. Santa hipocrisia.
       Continuemos lendo os jornais. Pra quem presta atenção e busca ler nas entrelinhas, está tudo ali. O macaco se esforça mas nem sempre consegue esconder o rabo. Enfim, todos temos as nossas vulnerabilidades. Isso vale para as poderosas corporações, a festejada grande imprensa e os governantes ilustres. Aprendi a não confiar em empresa que tem santo no nome. Freud deve explicar.

As redes sociais e a imagem das organizações

Fonte: comunicaçãoempresarial.com.br - Wilson da Costa Bueno
A imagem e a reputação das organizações constituem-se em ativos intangíveis de grande valor e precisam ser constantemente monitoradas. Isso significa que elas não podem ser deixadas "ao deus dará" porque as redes costumam ser muito sensíveis notadamente em momentos de crise. Imagem e reputação devem seguir o exemplo dos botecos bem sucedidos: estar o tempo todo sob o olhar do dono.
Mas como fazer isso, se as redes sociais (que incluem o Orkut, o Facebook, o Twitter, a chamada blogosfera toda - um blog a cada segundo - e muito mais), os grupos de discussão costumam ser muito dinâmicas, arredias a qualquer tentativa de análise?
Certamente o esforço não é pequeno e não deve ser tentado por amadores, mas a velocidade e a aceleração das informações nas redes podem, a exemplo das corridas de cavalo, dos lances espetaculares de uma partida de futebol, ser congeladas num determinado momento. Estes flagrantes podem evidenciar processos, realidades, tendências e são fundamentais para compor a estratégia de defesa e fortalecimento da imagem e da reputação das organizações.
As comunidades no Orkut, os perfis no Twitter, os endereços dos blogs são públicos e podem ser resgatados a partir de "sistemas de buscas" gerais ou específicos, assim como é possível recuperar expressões, palavras (por exemplo, nomes de organizações, de marcas, de pessoas) valendo-se, quase sempre, de buscadores associados a estes ambientes interacionais.
Os blogs podem ser acompanhados pelo Technorati, o Twitter pelo Search Twitter e o próprio Orkut e o Facebook têm internamente sistemas que permitem identificar temas, pessoas etc. O mesmo vale para grupos de discussão no Google, Yahoo, Grupos.com.br etc. Há sistemas alternativos que também fazem esta varredura e até empresas especializadas nesse mister.
Na prática, esta é a primeira etapa de um trabalho de monitoramento das redes sociais, assim como o clipping (impresso, eletrônico ou dos jornais on line) é o início de um processo de auditoria de imagem na mídia.
Mas é aí que começa a encrenca (alguém pensou que seria fácil?). O problema não está apenas em resgatar as mensagens (posts, tweetes, comentários, e-mails etc) mas em definir uma forma ( metodologia é a palavra mais indicada!) de avaliar o que se pretende. Monitorar não signifiva apenas coletar dados, informações mas sabê-los interpretá-los adequadamente. Quantas organizações já têm hoje esta competência?
Há várias perguntas que podem ser feitas (e respondidas) e e que podem contribuir para a definição de um roteiro para facilitar a construção de um projeto de auditoria de imagem para as redes sociais
1) O que se deseja monitorar? A imagem/reputação da organização? A imagem de marcas? A Imagem de pessoas? É pra acompanhar apenas uma empresa ou também os seus concorrentes?
A organização tem que ter os seus objetivos absolutamente claros porque é a partir deles que será organizado o resgate do material sobre ela, definidas as palavras-chave nos sistemas de busca e assim por diante. Um conselho: o negócio é ser seletivo neste momento porque não adianta querer varrer tudo porque se pode recuperar um volume tão grande de informações e tão disperso que a análise ficará comprometida. Seria incorrer no mesmo erro que algumas assessorias/agências cometem na auditoria de imagem na mídia quando confundem medição de clipping com avaliação da presença ou visibilidade das organizações. Busque e avalie apenas o que é relevante, pertinente, estratégica. Muita informação é diferente de boa informação.

2) Que perspectiva ou perspectivas se pretende incorporar na análise? Essencialmente qualitativa? Essencialmente quantitativa? Ou, o que é o ideal , harmonizar as perspectivas quantitativa e qualitativa porque é necessário sempre saber quem fala, quanto fala, com que públicos interage e com que grau de intensidade.
Isto feito, será possível estabelecer indicadores de presença ou de menção nas redes sociais (quantos falam e quantos são atingidos?), avaliar a angulação das opiniões e mensagens (positiva ou negativa), fazer a qualificação das fontes (nível de influência que podem ter, o que não é apenas ver quantos seguidores uma determinada fonte tem no twitter), detalhar os temas associados à organização etc etc.
3) O momento seguinte é criar um protocolo (tabelas, escalas ) para sistematizar a coleta de dados, permitindo agrupá-los segundo categorias previamente definidas. Aqui entram o conhecimento e a criatividade do pesquisador/consultor, sempre em sintonia com a proposta, os objetivos da organização. Essa história de projeto padronizado de auditoria não vale para o velho monitoramento da mídia impresso e se mostra totalmente inadequado para as redes sociais, muito mais fugidias e complexas.
4) Finalmente, é feita a análise propriamente dita e que flui dos dados sistematizados, culminando com uma série de conclusões e recomendações. Tudo isto irá compor o relatório a ser encaminhado à chefia ou interessados (se a auditoria é feita pela equipe interna da organização) ou ao cliente (se ela for realizada por agência ou assessoria/consultoria terceirizada).
Uma dica fundamental: em todos os casos , será necessário um período de teste para avaliar a consistência das categorias de análise, a abrangência dos sistemas de busca e mesmo a adequação dos protocolos definidos para a consolidação dos dados. É boa prática em pesquisa proceder a um pré-teste para calibrar os instrumentos de análise e ela se aplica (e como) também a esta situação particular. Recomenda-se que este período não seja muito reduzido porque estamos lidando com realidades novas (os projetos tradicionais de auditoria já têm sido há anos testados na prática, mas os que envolvem as redes sociais, não) e a pressa, nesse caso, é mais do que nunca inimiga da perfeição. Esta deve ser buscada mas nunca será obtida nos trabalhos em comunicação porque ela, assim como as ciências humanas em geral, têm a mania de serem desobedientes, rebeldes, com contornos às vezes surpreendentes, não flagrados por instrumentos toscos.
Há equívocos recorrentes e que podem (e costumam) ser cometidos nos projetos de monitoramento das redes sociais mas, dado o escopo deste artigo, vamos mencionar apenas três deles, talvez os principais: a) fazer este acompanhamento por um período curto ou esporadicamente e não vê-lo com uma perspectiva essencialmente estratégica; b) ter como objetivo o desejo de neutralizar /calar as vozes divergentes - pressionar os adversários nas redes sociais; c) ignorar que as redes sociais não podem ser controladas porque não têm fim ou começo, grandes líderes etc.
No primeiro caso, não se pode repetir o erro de organizações que contratam, de vez em quando, projetos de auditoria de imagem apenas como mero registro ou curiosidade. Ou a auditoria vai ser feita sistematicamente para permitir a intervenção imediata ou ela não tem qualquer valor estratégico. Se é para avaliar a "brincadeira" tem que ser para sempre porque organização séria não brinca de faz de conta, tipo "vamos ver o que estão falando da gente na rede"?
Já a intenção de descobrir e silenciar as vozes discordantes, que impactam a imagem ou reputação das organizações, não faz muito sentido porque as redes sociais costumam funcionar como uma Rádio Peão planetária , muito sensível ao autoritarismo, à falta de sensibilidade ou à tentativa de pressionar blogueiros, twitteiros etc. Muitas vezes é isso mesmo que desejam aqueles que têm opinião contrária. O ideal é que a organização tenha humildade, inteligência e que tente descobrir os motivos , as razões pelas quais aquela informação, posição etc está sendo veiculada. Muitas organizações correm atrás dos efeitos e se esquecem de resolver as causas.
É sempre bom não esquecer (vale como exemplo): os twitteiros , blogueiros ou integrantes de um grupo de discussão (as tribos cibernéticas) falam mal do Speedy porque ele dá apagões sucessivos, vociferam contra os bancos porque eles cobram juros extorsivos, detonam as agroquímicas por elas emporcalham o meio ambiente com o veneno que fabricam. Ou são como eu: colocam a Monsanto, Souza Cruz, farmacêuticas ou o amianto na berlinda porque são, respectivamente, empresas e produto que andam repetidamente pisando na bola, penalizando os cidadãos. E os exemplos não ficam por aí, infelizmente, porque podemos citar a arrogância da comunicação da Vale e da Petrobras, o descaso das empresas aéreas com os seus clientes , o preconceito do Carrefour contra negros e homossexuais e os sucessivos crimes de assédio moral da Ambev. A lista é imensa e não dá para finalizá-la aqui. Mas as redes sociais se incumbem de punir exemplarmente as empresas que cometem deslizes éticos, afrontam o meio ambiente e maltratam os seus próprios funcionários (A Embraer deu de uma vez só uma facada nas costas de 4.200 "colaboradores" e achava que ia ficar de graça?).
Por fim, as organizações precisam estar cientes de que as formas de controle tradicionais não funcionam aqui (é muito mais fácil cooptar certos empresários de comunicação prometendo anúncios para impedir que os seus veículos falem mal das organizações!). Levar os integrantes das redes sociais para os tribunais, usar a mão forte da censura para impedir que falem delas, pedir o fechamento de comunidades no Orkut etc só ajuda a aumentar as labaredas, funciona como combustível para as redes sociais.
Há muitos desafios a enfrentar mas é melhor que as organizações comecem a se capacitar agora para essa luta e mudem de postura: a época do conforto institucional acabou. As redes sociais terão cada vez mais gente, serão cada vez mais críticas e perdoarão cada vez menos as mazelas, os desrespeitos, a truculência e a falta de competência ou profissionalismo das organizações. Ao contrário do que se pode imaginar, lidar com as redes sociais não é tarefa para amadores.
Ou as estruturas (e posturas) de comunicação das organizações assumem definitivamente um perfil estratégico, respaldado em bancos de dados, metodologias refinadas, visão abrangente e compromisso com o bom relacionamento com os públicos de interesse ou estarão correndo sério risco de esvaziamento ou deterioração.
O jogo está aí para ser jogado. Para vencer nas redes sociais, o segredo não está na força, mas na inteligência, na criatividade, no talento em comunicação.
A onça definitivamente vai beber água. Os profissionais éticos e que não perdoam o amadorismo em comunicação estarão, como eu, em cima da árvore, à beira do rio, vendo as organizações incompetentes, autoritárias, não profissionais que se aproximam incautas do formidável felino. As redes sociais costumam pegar estas organizações na jugular. É morte certa. Mas de agora em diante, ninguém pode alegar que foi por falta de aviso. E uma dica final: pior do que não ver a onça e ser por ela atacada é cutucá-la com vara curta. Pode ser fatal.

O Jornalismo irresponsável

Por Luis Nassif
(Reproduzido do blog do autor, em 30/11/2009, pelo observatório da imprensa no dia 1º/12/09.)
Watergate tinha dois repórteres espertos – Bob Woodward e Carl Bernstein – e um editor memorável – Ben Bradlee – que filtrava todas as informações e só permitia a publicação daquelas confirmadas por pelo menos três fontes. Até hoje Bradlee é um dos símbolos do bom jornalismo e exemplo para jornalistas de todas as partes do mundo.
O escândalo divulgado pela Folha de S.Paulo na sexta-feira (27/11) – um artigo de um dissidente do PT, César Benjamin – acusando Lula de ter currado um militante do MEP no período em que esteve preso no DOPS, é um dos mais deploráveis episódios da história da imprensa brasileira. E mostra a falta que fazem pessoas da envergadura de Bradlee.
[Mais:]
Qualquer acusação, contra qualquer pessoa, exige discernimento, apuração. Quando o jornal publica uma acusação está avalizando-a.
Quando a acusação é gravíssima e atinge o presidente da República – seja ele Sarney, Itamar, FHC ou Lula – o cuidado deve ser triplicado, porque aí não se trata apenas da pessoa, mas da instituição. Qualquer acusação grave contra um presidente repercute internacionalmente, afeta a imagem do país como um todo. Se for verdadeira, pau na máquina. Se for falsa, não há o que conserte os estragos produzidos pela falsificação.
Nem como piada
A acusação é inverossímil. Na sexta conversei com o delegado Armando Panichi Filho, um dos dois incumbidos de vigiar Lula na cadeia. Ele foi taxativo: não só não aconteceu como seria impossível que tivesse acontecido.
Lula estava na cela com duas ou três presos. A cela ficava em um corredor, com as demais celas. O que acontecesse em uma era facilmente percebida nas outras.
Havia plantão de carcereiros 24 horas por dia. E jornalistas acompanhando diariamente a prisão.
Não havia condições de nenhum fato estranho ter passado despercebido. Panichi jamais ouviu algo dos carcereiros, dos presos, dos jornalistas e do delegado Romeu Tuma, seu chefe.
Benjamin não diz que Lula cometeu o ato. Diz que ouviu o relato de Lula em 1994, em um encontro que manteve em Brasília com um marqueteiro americano, contratado pela campanha, mais o publicitário Paulo de Tarso Santos e outras testemunhas.
Conversei com Paulo de Tarso – que já fez campanha para FHC, Lula – que lembra do episódio do americano mas nega que qualquer assunto semelhante tivesse sido ventilado, mesmo a título de piada. E nem se recorda da presença de Benjamin no almoço.
Deturpação da notícia
E aí se chega à questão central: com tais dados, jamais Ben Bradlee teria permitido que semelhante acusação saísse no Washington Post.
Antes disso, colocaria repórteres para ouvir as tais testemunhas, checaria as informações com outras fontes, conversaria com testemunhas da prisão de Lula na época. Praticaria, enfim, o exercício do jornalismo com responsabilidade.
A Folha não seguiu cuidados comezinhos de bom jornalismo. Não apenas ela perde com o episódio, mas o jornalismo como um todo.
É importante que leitores entendam: isso não é jornalismo. É uma modalidade especial de deturpação da notícia que os verdadeiros jornalistas não endossam.