"Com certeza, ela já sabia que o menino estava morto", diz delegada sobre mãe de padrinho

21 de agosto de 2015

Fonte Correio da Bahia
A versão que Rafael Pinheiro, 28 anos, contou à polícia inicialmente sobre o desaparecimento do pequeno Marcos Vinícius— de que o menino havia sumido na feira de Itapuã — foi o tempo todo reforçada pela mãe do cabeleireiro, Anira Freire Pinheiro, 47 anos, que sabia da morte do menino, e será indiciada por induzir a polícia ao erro.
“Ele contou que chegou na feira com o menino nos braços, mas que colocou ele no chão enquanto escolhia umas verduras e que quando procurou novamente o menino havia sumido”, disse a delegada Heloísa Simões, titular da Delegacia de Proteção à Pessoa (DPP). Segundo a polícia, a mãe de Rafael disse, em depoimentos, que um frentista e uma lojista da região onde o menino sumiu viram o garoto ser levado por um casal em um veículo Corolla de cor escura, o que corroborava a versão de sequestro.
As investigações, porém, foram desmentindo  a versão e  a polícia descobriu que a história havia sido inventada para proteger Rafael. “O dono da barraca de verduras onde ele disse ter perdido o menino contou que viu um homem com um celular com a foto de uma criança, dizendo que o menino estaria perdido”, afirmou a delegada.  “Foi ela (a mãe) quem indicou as testemunhas: uma lojista que não existe, um frentista que se chamava Ademir, que também não existe. Ninguém contou essa história. Em todas as oitivas com Rafael, ela estava presente. Com certeza, ela já sabia que o menino estava morto”, afirmou a delegada.
 
Marcos Vinicius, de 2 anos, foi encontrado morto  em Itapuã; 
 padrinho simulou desaparecimento (Foto: Reprodução)
Os barraqueiros da feira também negaram a versão apresentada por Rafael e Anira. Segundo a delegada Heloísa Simões, o dono do boxe onde ele disse ter perdido a criança contou que Rafael não estava com criança alguma. “No domingo, a gente já sabia que a criança não estava desaparecida”, afirmou Simões.
Pressão
Na segunda-feira,  Rafael foi convidado pelo delegado Antônio Carlos Magalhães, titular da 12ª Delegacia (Itapuã), para prestar depoimento. “Nós começamos a investigar quem era a pessoa de Rafael. Pedimos para ele comparecer na delegacia e ele pediu para se apresentar com um advogado. Isso levantou a primeira suspeita”, afirmou o delegado.
Rafael foi ouvido anteontem e, pressionado, confessou o crime. “A primeira pergunta que eu fiz a ele foi: onde está o corpo do menino? Ele ficou nervoso e acabou confessando”, disse.
A primeira versão apresentada pelo cabeleireiro era de que o corpo havia sido entregue para um sacizeiro (morador de rua e usuário de drogas), mas ele terminou voltando atrás e levou os policiais até o local onde havia deixado a criança. “Ele está preso na medida cautelar pelo crime de homicídio e ocultação de cadáver, resta saber através do laudo cadavérico se essa criança foi vítima de alguma violência ou uma complicação alimentar”, explicou. O laudo demora ao menos 30 dias para ser concluído. 
Penas
Os delegados enfatizaram que o inquérito ainda não foi finalizado e que não há data exata para a conclusão, mas contaram que, com base no que foi levantado até o momento, é possível indiciar três pessoas. Rafael Pinheiro vai responder por homicídio – a polícia aguarda o laudo para saber se culposo (sem intenção) ou doloso (com intenção) -  e ocultação de cadáver.
Ele e Anira podem responder também por denúncia caluniosa, por induzir a polícia ao erro. O cabeleireiro foi  conduzido para o Complexo Penitenciário de Mata Escura.
Segundo a polícia, a mãe de Marcus Vinicius, Fabiana Carvalho, 18, é usuária de drogas e vai responder, inicialmente, por negligência. “Ela deixou o filho de 2 anos com um homem que ela conhecia há um mês, ou seja, uma pessoa que ela não conhecia. Isso configura negligência e ela vai responder por isso”, disse a delegada Simões, referindo-se ao artigo 245 do Código Penal. 
Rafael disse que não contou com a ajuda de outras pessoas e que ninguém sabia sobre o crime, mas a polícia não descarta a participação de mais alguém, incluindo a mãe de Marcus Vinícius. “Como a investigação ainda está em curso, não sabemos até que ponto ela tem participação nesse crime. Nada foi descartado”, afirmou o delegado Magalhães.
Revolta
Rafael foi hostilizado pela população durante sua saída da 12ª Delegacia (Itapuã) e a chegada na sede da Polícia Civil, na Piedade, onde uma multidão o aguardava. Ao descer do carro, algumas pessoas tentaram atacar o rapaz, mas foram impedidas pelos policiais. No local, a multidão voltou a chamar o padrinho do garoto de assassino.
 
 
 
A mãe de Marcos Vinícius, Fabiana Carvalho, 18 — que será indiciada por negligência por ter entregue o filho a pessoa estranha  — esteve, ontem, no Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues (IML), nos Barris, para reconhecer o corpo de Marcos Vinícius, entregar documentos e fazer exames.
Em depoimento, Fabiana disse à polícia que havia deixado o filho com Rafael há  quatro meses, depois de ter conseguido um emprego como garçonete, no qual trabalhava à noite. Fabiana tinha conhecido Rafael apenas um mês antes de entregar o garoto para morar com ele.
“Eu acreditei na história do desaparecimento, mas pensei que ele pudesse ter escondido meu filho. Jamais iria imaginar que ele tinha feito isto”, lamentou.
 

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