É possível vislumbrar novas carreiras após a chegada da terceira idade

17 de janeiro de 2014

Fonte iBahia
aos 50 anos e se depara com o final de uma carreira em uma empresa qualquer. Você não é concursado, não tem direito, nem ao emprego e nem ao pecúlio perpétuo. Sua visão nubla, você se vê sem perspectivas, velho e acabado. E agora, começar do zero novamente? Cadê a disposição? Já dei o que tinha que dar. Quem sabe uma carrocinha de cachorro quente, que se popularizou como hot-dog - cá eu, por mim, prefiro cachorro quente mesmo. Se a carreira na grande ou média empresa acabou e você não é um médico renomado, um cabeleireiro famoso - sim, porque mexer em cabelo dá mais dinheiro do que ser médico -  ou um profissional reconhecido em alguma área... o que fazer ? Pode ser 50, 60 ou até mais, você pensa, se tenho saúde, e reservas, o que posso fazer daqui para a frente ?

De fato, e para tanto basta analisar a pirâmide etária, já não é possível contar com a aposentadoria certa aos 50, ou 60 anos de idade, tal e qual ocorria há uma  década atrás. Ao ultrapassar a barreira dos 50 anos o profissional já começava a contagem regressiva para a aposentadoria, de preferência ainda antes dos 60 anos, e já deveria começar a se comportar como tal.

No entanto, a evolução da pirâmide etária brasileira vem demonstrando, graficamente, que a velhice, tal como a conhecíamos, vem sendo redefinida paulatinamente. Se antes fazia sentido planejar uma aposentadoria aos 55, visto que dificilmente se chegaria aos 70, era perfeitamente natural planejar os anos que lhe restariam consumindo parte da poupança e contando com o provento e, talvez, alguma ajuda dos filhos. Com a fronteira do envelhecimento se expandindo, para muitos é comum chegar aos 70 anos com saúde ainda para trabalhar, nem sempre full time, é verdade, mas com capacidade para desempenhar extensas tarefas de forma bastante efetiva.

No Brasil, infelizmente, foi definido por lei um conceito de idoso aos 65 anos. Se é verdade que para uma parcela significativa da população chegar nesta idade já é sinônimo de debilidade física, para muitos outros nota-se o oposto. A questão mais visível é que o que separa uns de outros a partir de certa idade são as condições físicas e de saúde,  muito mais do que a idade cronológica. Então, é perfeitamente possível imaginar que se chegamos aos 60 anos ainda é possível pensar em mercado de trabalho por mais 10 ou 15 anos.

Talvez por isto os seniores, aqueles que chegaram aos 60 anos, começam a se deparar com uma situação inusitada. Não são mais os jovens de outrora, mas também não correspondem exatamente ao estereótipo de idosos. Nesta altura da vida, e um pouco antes até, a matemática da vida mudou. A expectativa de vida do brasileiro, segundo o IBGE, teve a sua fronteira novamente revisada, para 74,6 anos. E não vai parar por aí, pois na Inglaterra já ultrapassou os 80 anos, o que também superaremos mais à frente. Seria, portanto, mais cauteloso contar com uma expectativa de vida de 80 anos.

Evidentemente, não seria muito recomendável trabalhar com uma britadeira ou com pá e picareta após esta idade, mas é possível sim vislumbrar novas carreiras após esta idade, principalmente para quem não possui um escritório ou consultório estabelecido. Quais seriam essas opções?

As opções podem estar justamente na juventude, algo que muitas pessoas mais velhas não vêm ou até mesmo receiam, que é buscar a fonte da inspiração na juventude. Um dos maiores mercados e que mais se abre no mundo é de tutores. É aquela classe de profissionais que, se não vai adentrar uma sala de aula, irá dispender o seu tempo ajudando alguns jovens, ou crianças até,  a suplantar as deficiências. Se há algo que as pessoas de mais idade possuem é o patrimônio do conhecimento. Qualquer conhecimento pode ser aprimorado e transmitido, virar um negócio até. É também verdade que uma pessoa de mais idade em geral não terá mais o "pique" para aguentar a rotina de competitividade e cobrança de uma empresa. Pressões que os mais jovens estarão mais aptos a suportar. Por outro lado, os mais velhos podem ensinar os mais novos a superar as dificuldades. O grande mercado que se abre hoje, de fato, é o da tutoria. Esqueça a "carteira assinada". Se você já se aposentou ou está próximo de se aposentar, a carteira assinada perde o seu sentido. Torne-se senhor de si próprio e mentor dos demais.

Que tipos de ensinamentos podem ser passados? Ora, tudo. Ensinar a cantar, por exemplo, ou como escrever uma redação, conceitos de matemática e lógica ou programação, ou ainda como desenhar, pintar, esculpir ou cozinhar. Tudo mundo tem alguma habilidade dentro de si. Pode ser uma língua estrangeira. A questão não é mais, portanto, de "arrumar um emprego" depois dos 50/60, mas como estruturar um negócio onde você poderá ser o mentor de outros. Depois de uma certa idade, espera-se, você já deverá ter cumprido a pesada missão de criar os filhos e de adquirir a sua própria casa. Com a renda da aposentadoria no horizonte, o trabalho passa a ser complementação de renda. Devemos, então,  pensar na aposentadoria como um complemento de renda, e não como "a renda". Novamente a matemática nos diz que com o aumento da expectativa de vida ficará cada vez mais difícil para o governo cobrir o custo das aposentadorias.

Tentar aumentar a aposentadoria por decreto, na marra, até pode ser uma "conquista". Porém, em uma sociedade onde as demandas crescem e o governo pouco contribui para o ambiente de negócios, é certo que a volta do sinistro dragão da inflação ocorrerá em algum momento, diminuindo a renda de todos, sobretudo dos aposentados. Por outro lado, se mantivermos nossa capacidade criativa e laboriosa ativa pelo maior tempo possível, estaremos sempre seguros de que poderemos manter uma renda compatível, mesmo que a pensão seja corroída. Afinal, ninguém deseja morrer antes da hora devido à sua própria inviabilidade econômico-financeira. Dito isto, devemos crer que os sessenta anos devem marcar para muitos a entrada na idade dos seniores. A idade em que você, muito provavelmente, terá que se tornar empresário.

Mas essa não é a única alternativa. Acompanhe nossa coluna na semana que vem e falaremos sobre outras possibilidades.

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