Sobreviventes relatam caos em naufrágio de transatlântico

16 de janeiro de 2012

Fonte Agência EFE
Acidente na Itália deixou ao menos 3 mortos; 4.234 pessoas estavam a bordo.

O acidente com o transatlântico Costa Concordia, que bateu na noite desta sexta-feira em um banco de areia em frente à ilha de Giglio, na costa da Itália, e naufragou em seguida, deixou ao menos três mortos – dois turistas franceses e um peruano integrante da tripulação. O naufrágio provocou momentos de desespero entre os passageiros. "Vivemos momentos de caos total. Ninguém da tripulação sabia dizer o que devíamos fazer. O navio começou a inclinar e todo mundo foi jogado por cima dos outros. Muita gente ficou machucada", contou um sobrevivente.
Imagem Google

Segundo o prefeito de Toscana, Giuseppe Linari, quase 70 pessoas ainda se encontram desaparecidas, mas podem estar com outros passageiros evacuados para a ilha de Giglio. "Dos 4.234 passageiros e membros da tripulação, incluindo 52 crianças menores de seis anos, foram encontrados até o momento 4.165 pessoas, o que deixa uma diferença de 70 pessoas, mas estamos realizando buscas praticamente porta a porta na ilha de Giglio", afirmou Linari.
A embarcação fazia um cruzeiro pelo Mediterrâneo e saiu do porto de Civitavecchia, a 80 quilômetros da capital Roma, com destino a Savona, no norte do país. De lá, partiria num cruzeiro com escalas em Palermo (Sicília), Cagliari (Sardenha), Palma de Mallorca, Barcelona (Espanha) e Marselha (França). Cerca de 2 horas depois de zarpar, por volta das 21h30 (18h30 de Brasília), as sirenes soaram.

"Foi um pesadelo, parecia o Titanic, pensamos que era o fim, que íamos morrer", relatou a italiana Silvana Caddeo à imprensa local. Ao lado de Ignazio Deidda e Mirella Corda, ela contou que a colisão ocorreu precisamente no horário em que os passageiros jantavam. Com o impacto, garrafas e copos voaram das mesas.
Em seguida, os alto-falantes da embarcação avisaram que um problema elétrico havia acontecido e que não havia motivos para preocupação. "Mas as pessoas gritavam e as crianças choravam, em meio à total escuridão", afirmou um dos italianos sobreviventes.
Brasileiros – O consulado-geral do Brasil em Roma informou que, segundo a empresa Costa Cruzeiros, havia 53 brasileiros no transatlântico – 47 passageiros e seis tripulantes. Um grupo de 26 brasileiros que estava na embarcação já está a caminho de Milão, segundo a embaixada do Brasil na Itália.A assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores relatou ainda que alguns brasileiros resgatados entraram em contato com o consulado do pais em Milão.
Até o momento, não há nenhum registro de brasileiros feridos ou desaparecidos no acidente. De acordo com o Itamaraty, caso um brasileiro fosse vítima do naufrágio, o procedimento normal seria as autoridades italianas contatarem o governo brasileiro para informar sobre o caso, o que não ocorreu.
Lentidão – Alguns passageiros do Costa Concordia queixaram-se da lentidão das equipes de socorro e afirmaram que levaram até 1 hora e 30 minutos para deixar o navio. Segundo membros da tripulação, o capitão da embarcação sabia da gravidade da situação mas "não fez o que devia ser feito".
Para apurar o eventual atraso no salvamento, a Capitania dos Portos de Grosseto, à qual é ligada a ilha de Giglio, anunciou a abertura de uma investigação. Mas, de acordo com a imprensa italiana, o capitão Emilio do Santo já admitiu os atrasos. Após o acidente, as autoridades da ilha de Giglio convocaram a população para ajudar na acolhida aos passageiros do cruzeiro.
Moradores abriram suas casas para receber os viajantes. Centros esportivos e a pequena igreja da localidade serviram de abrigo. Além disso, algumas lojas abriram durante a noite e a população cedeu cobertores e roupas para que os sobreviventes não passassem frio no inverno italiano.
Vazamento – O presidente da Costa Cruzeiros, Gianni Onorato, declarou que o navio está "em segurança" e não há perigo de vazamento de combustível para o mar. Segundo o executivo, uma equipe técnica holandesa está a caminho do local do acidente para lidar com possíveis problemas ambientais.
Onorato repeliu acusações de que o Costa Concordia tombou porque navegava fora do curso. "Não é correto dizer que o navio estava fora do curso, houve um evento totalmente inesperado. O Costa Concordia atingiu uma pedra não marcada no mapa náutico", alegou.
As causas do acidente com a embarcação não foram divulgadas pelo governo italiano. Navio com bandeira da Itália com maior capacidade de passageiros, o Costa Concordia está escorado a 80 graus em uma região arenosa com profundidade de 30 metros. 

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